{"id":2742,"date":"2021-02-03T15:37:27","date_gmt":"2021-02-03T18:37:27","guid":{"rendered":"https:\/\/herweg.com.br\/?p=2742"},"modified":"2021-02-03T15:47:02","modified_gmt":"2021-02-03T18:47:02","slug":"por-que-o-4-aparece-como-iiii-em-relogios-com-algarismos-romanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/herweg.com.br\/en\/por-que-o-4-aparece-como-iiii-em-relogios-com-algarismos-romanos\/","title":{"rendered":"Por que o 4 aparece como IIII em rel\u00f3gios com algarismos romanos?"},"content":{"rendered":"<p>Se voc\u00ea j\u00e1 reparou, vai querer saber o porqu\u00ea. Mas se nunca reparou, vai se surpreender. De uma forma ou de outra, agora voc\u00ea vai se informar e descobrir com a gente (ou n\u00e3o), por que o n\u00famero 4 aparece como IIII em alguns rel\u00f3gios famosos ou chiques.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio de 2012 os jornais de Campo Grande noticiaram uma grande pol\u00eamica, que dominou as conversas dos moradores da capital do Mato Grosso do Sul por muitos e muitos dias.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato \u00e9 que um rel\u00f3gio hist\u00f3rico no Centro da cidade foi restaurado pela prefeitura. No entanto, ao reinaugurar o rel\u00f3gio em estilo cl\u00e1ssico, com algarismos romanos, surgiu no lugar do n\u00famero \u201cIV\u201d um s\u00edmbolo diferente, o \u201cIIII\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela \u00e9poca j\u00e1 est\u00e1vamos no auge das redes sociais, e \u00e9 claro que n\u00e3o demorou a aparecerem diversas manifesta\u00e7\u00f5es a respeito. Algumas bem-humoradas, outras indignadas, mas quase todas criticando o \u201cerro\u201d da prefeitura.<\/p>\n\n\n\n<p>O pior \u00e9 que a explica\u00e7\u00e3o dada, em meio a tamanha indigna\u00e7\u00e3o, tomou ares de \u201cdesculpa esfarrapada\u201d. O jornal Correio do Estado publicou uma nota da institui\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p><em>A grafia do numeral \u201c4\u201d no rel\u00f3gio despertou a curiosidade de alguns internautas, que publicaram no site de relacionamentos \u201cFacebook\u201d a foto do rel\u00f3gio com o algarismo romano escrito como \u201cIIII\u201d, e n\u00e3o \u201cIV\u201d como todos estamos habituados.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A restaura\u00e7\u00e3o do rel\u00f3gio se limitou a consertar o maquin\u00e1rio, mantendo sua identidade e arquitetura original. E foi assim que o n\u00famero 4 foi escrito no rel\u00f3gio em 1933.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>As explica\u00e7\u00f5es sobre essas duas formas diferentes de grafia variam entre os pesquisadores. O formato \u201cIV\u201d \u00e9 uma forma mais moderna de se representar o n\u00famero. J\u00e1 o \u201cIIII\u201d foi usado no per\u00edodo chamado de \u201cTempos Modernos\u201d, d\u00e9cadas de 30 e 40, exatamente quando o rel\u00f3gio foi constru\u00eddo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A resposta da prefeitura n\u00e3o agradou, sobretudo, por carecer de mais informa\u00e7\u00f5es para embasar o argumento. E, sim, a nota diz a verdade, mas n\u00e3o esclarece muita coisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Somente algum tempo depois desse fato inusitado, e por causa dele, olhares curiosos come\u00e7aram a buscar por todo o Brasil exemplos semelhantes. E muita gente descobriu, ainda que com um atraso de quase um s\u00e9culo, que a grafia do algarismo 4 como IIII \u00e9 bastante comum.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">N\u00e3o est\u00e1 errado, mas por que o 4 aparece como IIII?<\/h2>\n\n\n\n<p>Utilizar o n\u00famero IIII em vez de IV \u00e9 permitido. Mais do que isso: de certa forma a pr\u00e1tica j\u00e1 \u00e9 tradicional.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas para descobrirmos de onde surgiu esse h\u00e1bito, primeiro vamos saber um pouco mais sobre a origem dos n\u00fameros romanos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Os algarismos romanos surgiram na\u2026 Roma Antiga<\/h3>\n\n\n\n<p>Abra alguns livros, procure por algum rel\u00f3gio antigo ou busque alguma lei na internet. Provavelmente, mais cedo ou mais tarde voc\u00ea ir\u00e1 se deparar com os algarismos romanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse ar pomposo que envolve este tipo de numera\u00e7\u00e3o tem sua raz\u00e3o de ser. \u00c9 que os numerais romanos surgiram durante o Imp\u00e9rio Romano.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi l\u00e1 que se desenvolveu, dentre tantas outras coisas importantes para a humanidade, esse sistema matem\u00e1tico simples e pr\u00e1tico, que revolucionou a forma de contar. Tanto que ele se difundiu rapidamente e perdura at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>O conjunto de algarismos romanos se constitui de 7 letras mai\u00fasculas do alfabeto latino:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>I, V, X, L, C, D e M.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Isso voc\u00ea j\u00e1 sabia. O que talvez voc\u00ea n\u00e3o tenha aprendido na escola \u00e9 o verdadeiro nome de cada n\u00famero, no original, em romano:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>I significa unus (um);<\/li><li>V significa quinque (cinco);<\/li><li>X significa decem (dez);<\/li><li>L significa quinquaginta (cinquenta);<\/li><li>C significa centum (cem);<\/li><li>D significa quingenti (quinhentos);<\/li><li>M significa mille (mil).<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Mas e quanto a todos os outros n\u00fameros? \u00c9 justamente a\u00ed que reside a genialidade do sistema. Basta ir inserindo algarismos come\u00e7ando pelo maior valor e seguindo duas regrinhas simples:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" type=\"1\"><li>algarismos com valor menor ou igual posicionados \u00e0 direita devem ser somados ao algarismo de valor maior;<\/li><li>algarismos com valor menor que est\u00e3o posicionados \u00e0 esquerda dever\u00e3o ser subtra\u00eddos do algarismo com valor maior.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>E o que isso tem a ver com o 4 que aparece como IIII, e n\u00e3o IV? Tudo! Continue acompanhando que j\u00e1, j\u00e1 a gente conta a verdade sobre esse \u201cmist\u00e9rio\u201d. Mas, antes, que tal se divertir com duas hip\u00f3teses nunca comprovadas, mas ainda levadas a s\u00e9rio por muita gente?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Por J\u00fapiter!<\/h3>\n\n\n\n<p>Sabe aquelas teorias da conspira\u00e7\u00e3o que n\u00e3o t\u00eam nada de verdadeiras, mas a gente tem uma vontade quase incontrol\u00e1vel de acreditar?<\/p>\n\n\n\n<p>Elas s\u00e3o formadas por um conjunto de informa\u00e7\u00f5es verdadeiras, e a soma de todas elas n\u00e3o \u00e9 necessariamente verdade, mas cria essa ilus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois \u00e9 exatamente assim que funciona o que chamaremos aqui de \u201cHip\u00f3tese de J\u00fapiter\u201d. Coincidentemente, as duas letras iniciais do nome do deus romano J\u00fapiter grafado em latim (IVPITER) s\u00e3o os mesmos caracteres do n\u00famero romano IV.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed entra um pouco de criatividade, misturando o cristianismo que vigora nos dias atuais com os cultos gregos e paganismo: para n\u00e3o usar o nome do deus J\u00fapiter \u201cem v\u00e3o\u201d, alguns romanos optaram por utilizar o IIII em vez do IV.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso n\u00e3o explica muita coisa, aparentemente\u2026 Por que, ent\u00e3o, os rel\u00f3gios, que n\u00e3o existiam no Imp\u00e9rio Romano, teriam perpetuado este h\u00e1bito, se \u00e9 que ele um dia existiu?<\/p>\n\n\n\n<p>Teorias como estas costumam n\u00e3o sobreviver a umas poucas perguntas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Perdendo a linha<\/h3>\n\n\n\n<p>Uma hip\u00f3tese ainda mais \u201cfor\u00e7ada\u201d tamb\u00e9m se popularizou, como tantas outras hist\u00f3rias que se espalham como verdadeiras, mas n\u00e3o passam de lendas.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se da hist\u00f3ria de um acidente de trem ocorrido na Inglaterra. A data desse suposto fato sempre varia (o que j\u00e1 \u00e9 mais um ind\u00edcio de que as fontes n\u00e3o s\u00e3o confi\u00e1veis).<\/p>\n\n\n\n<p>Diz a lenda que o tal acidente foi causado por um funcion\u00e1rio distra\u00eddo. Esse pobre rapaz era respons\u00e1vel pelo controle dos hor\u00e1rios dos trens. O consenso entre as vers\u00f5es da hist\u00f3ria \u00e9 que dois trens acabaram colidindo por uma confus\u00e3o de hor\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>O que varia nessa anedota \u00e9 a forma como isso teria acontecido. Uns dizem que ele teria visto o reflexo do rel\u00f3gio da esta\u00e7\u00e3o em uma vidra\u00e7a (ou no trilho do trem), confundindo IV com VI.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros preferem a vers\u00e3o de que ele simplesmente anotou o hor\u00e1rio de sa\u00edda do trem em um papel no in\u00edcio do expediente, e ao conferir a anota\u00e7\u00e3o na mesma tarde, autorizou a partida do trem \u00e0s V horas ao inv\u00e9s das IV horas (o s\u00edmbolo \u201cI\u201d teria se apagado, ou estava mal escrito), ocasionando a batida com o trem que havia partido de outra esta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Conta-se que foi a partir da\u00ed que os ingleses teriam mudado a numera\u00e7\u00e3o para IIII, para evitar novos acidentes. E que, naturalmente, este cuidado t\u00e3o espec\u00edfico teria se espalhado pelo mundo todo. E voc\u00ea, acredita nessa hist\u00f3ria?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Enfim a verdade<\/h2>\n\n\n\n<p>J\u00e1 sabemos que a representa\u00e7\u00e3o de 4h ou 16h nos rel\u00f3gios com algarismos romanos pode ser feita tanto com o IV quanto com o IIII.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m j\u00e1 conhecemos algumas tentativas de explicar os motivos para essa varia\u00e7\u00e3o em alguns rel\u00f3gios relativamente raros.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora chegou a hora de sabermos, de fato, porque o 4 aparece como IIII em alguns rel\u00f3gios com algarismos romanos.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade tem tudo a ver com algo que j\u00e1 explicamos anteriormente: a origem dos n\u00fameros romanos. Lembra das duas regrinhas simples? Algarismos com valor menor ou igual posicionados \u00e0 direita devem ser somados ao algarismo de valor maior. Algarismos com valor menor que est\u00e3o posicionados \u00e0 esquerda dever\u00e3o ser subtra\u00eddos do algarismo com valor maior.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 assim que conhecemos e foi assim que aprendemos. S\u00f3 que o que n\u00e3o nos contaram \u00e9 que o n\u00famero 4, inicialmente, era escrito de acordo com um m\u00e9todo de adi\u00e7\u00e3o simples, representando a soma de 1+1+1+1.<\/p>\n\n\n\n<p>Somente mais tarde \u00e9 que os romanos adotaram a grafia IV, baseando-se na f\u00f3rmula que representa o I subtra\u00eddo de V (a segunda regrinha simples).<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja: durante muito tempo as duas formas eram utilizadas, deixando resqu\u00edcios atrav\u00e9s dos s\u00e9culos, sendo um deles a numera\u00e7\u00e3o dos rel\u00f3gios. Mas porque manter esse costume?<\/p>\n\n\n\n<p>Essa pergunta reflete um sentimento que costuma acontecer com explica\u00e7\u00f5es racionais e elegantes. Muita gente se sente frustrada com a falta de elementos dram\u00e1ticos para temperar o enredo. A boa not\u00edcia \u00e9 que a hist\u00f3ria n\u00e3o acaba aqui!<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Aspecto est\u00e9tico<\/h2>\n\n\n\n<p>J\u00e1 dissemos que o uso do IIII em vez do IV \u00e9 prerrogativa de rel\u00f3gios \u201crelativamente raros\u201d. Acontece que existe uma esp\u00e9cie de conven\u00e7\u00e3o em n\u00edvel mundial para a utiliza\u00e7\u00e3o desse detalhe em rel\u00f3gios de alto padr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa conven\u00e7\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o o aspecto est\u00e9tico dessa op\u00e7\u00e3o. E a explica\u00e7\u00e3o mais aceit\u00e1vel por especialistas para esse consenso \u00e9 o conforto visual, pois os rel\u00f3gios que adotam tal padr\u00e3o adquirem um visual sim\u00e9trico.<\/p>\n\n\n\n<p>O uso do n\u00famero romano IIII faz com que a distribui\u00e7\u00e3o dos algarismos I, V e X seja dividida perfeitamente ao redor do rel\u00f3gio. Vejamos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Das 12 horas representadas, as quatro primeiras utilizam o algarismo I (I, II, III e IIII).<\/li><li>O segundo ter\u00e7o de horas \u00e9 composto pelas quatro que cont\u00e9m o algarismo V (V, VI, VII e VIII).<\/li><li>As quatro \u00faltimas horas s\u00e3o representadas pelo algarismo X (IX, X, XI, XII).<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Alguns designers tamb\u00e9m apontam que, na face de um rel\u00f3gio, o IIII prov\u00ea mais equil\u00edbrio que o IV em rela\u00e7\u00e3o ao VIII que aparece no lado oposto.<\/p>\n\n\n\n<p>Para tornar tudo ainda mais equilibrado, tamb\u00e9m podemos somar os algarismos que aparecem ao todo. Se utilizarmos o IV, ser\u00e3o 17 Is, 5 Vs e 4 Xs, Mas se adotarmos o IIII, teremos 20 Is, 4 Vs e 4 Xs, um conjunto indiscutivelmente mais harmonioso.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando voc\u00ea for a S\u00e3o Paulo, observe o rel\u00f3gio da Esta\u00e7\u00e3o da Luz com aten\u00e7\u00e3o. Lembre-se de tudo o que acabou de aprender aqui, comece uma conversa com algu\u00e9m por l\u00e1 e conte essas hist\u00f3rias!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em tempo:<\/strong> voc\u00ea consegue localizar em <a href=\"https:\/\/herweg.com.br\/en\/\">nosso site<\/a> algum exemplo de rel\u00f3gio que possui o IIII ao inv\u00e9s do IV? Procure por l\u00e1 e, se encontrar, conte aqui pra gente!<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se voc\u00ea j\u00e1 reparou, vai querer saber o porqu\u00ea. Mas se nunca reparou, vai se surpreender. De uma forma ou de outra, agora voc\u00ea vai se informar e descobrir com a gente (ou n\u00e3o), por que o n\u00famero 4 aparece como IIII em alguns rel\u00f3gios famosos ou chiques. 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