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Uma viagem no tempo: a história dos relógios

O relógio que conhecemos hoje é resultado da evolução de diversos instrumentos criados para medir o tempo, desde a Antiguidade, em diversos formatos. Trata-se de uma das mais antigas invenções humanas, e você vai conhecer sua história agora.

O ser humano sempre sentiu a necessidade de medir o tempo. Mesmo as sociedades mais antigas já observavam os padrões da natureza para programar plantios e colheitas. Inicialmente, era importante saber distinguir as estações do ano.

Durante o curso de um ano eram observadas diversas alterações climáticas, que influenciavam mudanças no ambiente. Florescimento de plantas, ventos, inundações, chuvas sazonais, reprodução de animais, migração de aves… Tudo isso foi observado e concluiu-se que havia uma regularidade que regia tais fenômenos.

Por sua condição de animal racional, era apenas uma questão de tempo até que o homem notasse também o movimento regular dos corpos celestes. O primeiro registro das fases da lua, por exemplo, foi feito na pré-história, há cerca de 30 mil anos.

Isso mostra como a contagem do tempo tem sido utilizada há muito mais tempo do que muitos imaginam, e por esse motivo especula-se que pode ter tido papel fundamental no progresso das civilizações, ditando seu ritmo.

Mas para atender a novas necessidades com o passar dos anos, o ser humano passou a inventar formas cada vez mais precisas de medir o tempo. Já não era mais suficiente medir os anos, meses e dias.

Para isso, aos poucos foram sendo inventados instrumentos para medir intervalos de tempo mais curtos que aqueles já definidos pela própria natureza. Esses dispositivos têm sido utilizados por milênios, operando de acordo com os mais diversos princípios. Em comum eles possuem o fato de marcarem as horas, e todos eles culminaram no relógio que conhecemos hoje. Portanto, podem ser considerados relógios também.

A palavra relógio vem do latim horologium

No grego também há uma palavra que deu origem à palavra relógio: horologion. Significa, “quadrante solar que marca o tempo”. Note-se que, portanto, a palavra “hora” já existia desde os primórdios. Porém, ela não tinha o significado específico de hoje. Significava simplesmente “tempo” ou “estação”. O tempo não era medido com precisão, por isso a palavra hora era usada com maior amplitude de significado.

Já a expressão “quadrante solar” diz respeito aos marcadores que utilizavam a sombra produzida pela luz do sol para marcar o tempo. Essa foi a primeira forma encontrada para marcar frações menores de tempo.

À medida que o sol se move no céu, as sombras alteram sua posição e tamanho. Dessa forma, qualquer sombra pode medir a passagem de um dia.  Com o tempo percebeu-se que a duração de cada dia dependia da época do ano, ou seja, as estações. E tudo passou a fazer ainda mais sentido.

A princípio não havia a necessidade de marcar o tempo com muita precisão, mas o ser humano sempre teve muitas ambições. E o conceito baseado na simples observação das sombras para medir a duração de um dia evoluiu.

A hora do astro rei

O relógio de sol foi o primeiro instrumento criado para dividir o dia em partes menores, ou seja, o primeiro relógio. Evidências arqueológicas mostram que os egípcios podem ter sido a primeira civilização a usar esse dispositivo, por volta de 1500 a.C.

Os egípcios criaram um relógio de sol em forma de “T”, capaz de dividir o intervalo entre o nascer e o pôr do sol em 12 partes. Ou seja, os egípcios também inventaram o conceito de “hora”. Durante a noite, eles recorriam a um conjunto de 12 estrelas para orientar a passagem do tempo, de forma menos precisa, mas eficiente.

Só havia um pequeno problema: quando o tempo estava nublado, não era possível utilizar as sombras do sol durante o dia, nem as estrelas durante a noite, para medir o tempo.

Tempo fluido

A clepsidra ou relógio de água também foi um dos primeiros sistemas de medição de tempo criados pelo homem. É um dispositivo movido a água que utiliza a força da gravidade. A clepsidra mais antiga já descoberta é da era de 1400 a.C, e pode ser vista no Museu Egípcio do Cairo.

Trata-se de um recipiente furado na base, por onde sai a água. Os intervalos de tempo são medidos com base na velocidade de escoamento da água, por marcações feitas nas paredes da clepsidra. Sua precisão extrapolou a capacidade do relógio de sol, podendo medir até intervalos de 5 minutos.

Areias do tempo

O mais famoso relógio da antiguidade é a ampulheta, ou relógio de areia. São relógios simples de areia, formados por dois cones. A areia escoa do cone invertido superior para o cone inferior em um intervalo de tempo regular. A História registra o aparecimento das ampulhetas na Judeia, em 600 a.C., mas sabe-se que eles já existiam na Babilônia e no Egito em torno do século XVI a.C.

Um relógio, muitos inventores

Entrando na era cristã, já em 725 d.C., um monge budista chinês chamado Yi Ching fabricou o primeiro relógio mecânico de que se tem notícia. Ele funcionava com um conjunro de engrenagens e 60 baldes de água, correspondentes aos 60 segundos que compõe um minuto.

Pouco mais tarde, por volta de 800 d.C., o califa Harune Arraxide deu a Carlos Magno um elefante e um relógio mecânico de onde saía um cavaleiro que dizia as horas. Como o Califa era de Bagdá, isso pode significar que primeiros relógios mecânicos foram inventados pelos asiáticos.

Mas quem levou o mérito pela invenção do relógio mecânico acabou sendo o papa Silvestre II. Ao menos no mundo ocidental isso é verdade. Mas depois desses primeiros registros, diversos outros nomes foram responsáveis pelo aperfeiçoamento de relógios. Dentre eles estão Ricardo de Walinfard, Santigo de Dondis e seu filho que ficou conhecido como “Horologius”, e Henrique de Vick, todos do século XIV d.C.

Pra guardar no bolso

Dos relógios modernos, tais quais os conhecemos nos dias de hoje, os primeiros foram os relógios de bolso. Como ainda eram uma novidade, eram bastante raros, e tidos como símbolos de status, verdadeiras joias restritas a poucos privilegiados. Somente membros da alta aristocracia tinham acesso a tais objetos no início.

Foi em 1500, época das grandes navegações e descobertas que, em Nuremberg, Peter Henlein fabricou o primeiro relógio de bolso da História. Por seu formato oval e sua procedência, passou a ser conhecido como Ovo de Nuremberg.

O Ovo de Nuremberg era fabricado inteiramente em ferro, do exterior ao complexo mecanismo interno. Sua corda durava quarenta horas seguidas, confeccionada com pêlos de porco, numa espécie de protótipo das molas espirais que seriam comuns anos mais tarde.

O relógio de bolso de Heinlein foi um divisor de águas na história dos relógios, sendo o ponto de partida para diversos aprimoramentos, em muitos países, especialmente na Europa. A partir dele, a indústria relojoeira começou a se desenvolver com grande velocidade.

O balanço das horas

Em 1595 o astrônomo Galileu Galilei descobriu o isocronismo, que nada mais é do que a  regularidade no movimento de um pêndulo. Seus estudos serviram de base para a invenção do relógio de pêndulo em 1656, por Christiaan Huygens, em 1656, na cidade de Haia, na Holanda. Apenas um ano depois diversos artesãos holandeses iniciaram a fabricação da invenção, que se difundiu rapidamente por todo o mundo. Aliás, até hoje os relógios de pêndulo são procurados por seu valor estético e artístico.

Moderno, mas nem tanto

Depois dos relógios mecânicos começaram a surgir novas variedades de técnicas de registro do tempo. Uma dessas invenções é descendente direta do relógio de bolso. Estamos falando do relógio de bolso digital, invenção de um engenheiro austríaco chamado Josef Pallweber.

Ele inventou um mecanismo batizado de “hora de pular” em 1883. O sistema era composto de duas janelas em um mostrador, nas quais apareciam as horas, através de discos rotativos. O segundo ponteiro permaneceu funcionando da forma convencional. Note que trata-se, na verdade, de um protótipo do sistema digital, mas ainda analógico.

A história dos relógios digitais, de fato, começou no final do século XIX, com a descoberta de uma propriedade de certos cristais como o quartzo e outros materiais que podem transformar energia mecânica em energia elétrica, fenômeno conhecido como efeito piezelétrico.

Foram os irmãos Pierre e Jaques Curie os descobridores e primeiros estudiosos dessa tecnologia. Eles acabaram percebendo que o efeito inverso também ocorria, com a alteração das características elásticas dos cristais mediante a aplicação de correntes elétricas.

O canadense Warren Marrison baseou-se nesse princípio para, em 1927, utilizar minúsculos pedaços de cristais de quartzo em um relógio. Os cristais recebem a corrente elétrica gerada por uma pilha e vibram exatas 32.768 vezes por segundo. Com essa regularidade, é possível registrar com precisão cada segundo, através de um microprocessador. Todo o sistema é, então, ligado a um display digital, ou mesmo a ponteiros analógicos, mostrando as horas, minutos e segundos.

Um brasileiro de pulso firme

Algumas fontes atribuem a invenção do relógio de pulso ao relojoeiro Abraham Louis Breguet. Ele teria confeccionado o primeiro relógio de pulso conhecido em 1814, por encomenda da irmã de Napoleão Bonaparte, a princesa de Nápoles, Carolina Murat. Porém as fontes são escassas e não há como comprovar a veracidade dessa informação.

A hipótese mais aceita é a de que o inventor do relógio de pulso tenha sido o mesmo do avião: o brasileiro Alberto Santos Dumont. Ou seja: Santos Dumont está envolvido em não apenas uma, mas duas invenções de origem controversa!

Conta a história que o “pai da aviação” necessitava de uma solução prática para poder cronometrar os seus voos. Como todo mundo, ele possuía um relógio de bolso preso a uma corrente, mas teve a ideia de encomendar um relógio que pudesse ser preso ao braço, facilitando o controle das horas.

O pedido foi feito ao amigo e famoso relojoeiro Louis Cartier. Em 1904, Cartier entregou ao amigo o que é considerado por muitos como o primeiro relógio de pulso do mundo. O objeto ganhou o nome de seu dono: o relógio Santos.

Em 1911 ele passou a ser comercializado, fazendo sucesso entre soldados que lutaram na Primeira Guerra Mundial. Ele é fabricado até hoje, da mesma forma que o original, com cada parafuso e a pulseira de couro.

Como o tempo se dividiu ao longo do tempo

A divisão do dia em 24 horas, apesar de já ter resquícios na civilização egípcia, passou a ser padronizada somente no século II a.C. A segmentação das horas em 60 minutos e dos minutos em 60 segundos surgiu na mesma época, apesar de também haver resquícios dessa mesma prática por volta de 2000 a.C., quando os babilônios desenvolveram um sistema hexadecimal para o cálculo astronômico.

O astrônomo grego Eratóstenes foi o grande responsável pela padronização que perdura até hoje, mas a utilização efetiva do sistema é muito mais recente. Só no final do século XVI popularizou-se a ideia. Até então a preferência era dividir as horas em metades e quartos.

Já os minutos só passaram a ter sua divisão mais utilizada em 1967. Nesse ano ficou estabelecido que um segundo corresponde à duração de 9.192.631.770 períodos da radiação do átomo de césio. O chamado “relógio atômico” passou a ser o padrão mundial para estabelecer as horas, minutos e segundos. Essa padronização recebe o nome de UTC (Tempo Universal Coordenado).Em tempo: melhor do que ouvir a história dos relógios, é conhecê-la de perto. Temos um outro artigo que serve de guia para você conhecer os melhores museus dedicados a relógios do mundo.

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay 

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