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Relógio a Corda

Como funciona um relógio a corda?

Vintage, retrô, cult… Chame como quiser. O charme de um relógio clássico, com seu movimento mecânico e sons inimitáveis possui um charme inegável. Só quem possui um deles sabe a sensação que é vê-lo ganhando vida a partir do “nada”, animando seus ponteiros. E tudo isso só depende de um movimento da ponta dos seus dedos. Saiba agora como funciona um relógio a corda.

O deslumbramento que sentíamos na infância ao brincar com um brinquedo de corda é uma das imagens que guardamos com carinho na memória, E daquela época, muitos ainda trazem uma pergunta: como funciona um brinquedo a corda? Existe uma resposta simples: da mesma forma que um relógio a corda!

Mas pode se acalmar, pois não vamos deixar você sem uma boa resposta. Todos os mecanismos de corda são semelhantes, funcionando de acordo com o mesmo princípio. O que muda, no caso dos relógios, é a extrema precisão que as peças precisam ter, perfeitamente dimensionadas e sincronizadas entre si para que ninguém perca a hora!

Embora esses mecanismos variem de relógio para relógio, todos eles funcionam com base no princípio fundamental da energia, que aprendemos nas aulas de física: a energia potencial.

Ao dar corda em um relógio, a energia se acumula na mesma medida em que a haste é girada, e depois é transferida para um mecanismo de armazenamento, de onde será utilizada para movimentar os ponteiros (ou as rodas de um carinho, as pernas de um boneco etc.)

Ficou difícil de entender? Vamos, então, explicar de uma forma mais simples e, em seguida, de uma forma ainda mais detalhada. A forma simples: a corda funciona exatamente da mesma forma que um elástico. Ao ser esticado, um elástico acumula energia. Ao ser solto, ele libera essa energia transformada em movimento.

No caso da corda, é exatamente isso que acontece, apenas com mais detalhes envolvidos no meio do processo. E ao continuar lendo este artigo, você conhecerá esses detalhes, na nossa forma longa e detalhada de explicar como funciona um relógio a corda.

Relógio a corda: charme retrô

Um gesto muito simples, que parece pura mágica. Basta girar uma haste para ver o seu relógio funcionando. E basta realizar este ritual uma única vez por dia, em geral, para ter um relógio livre de baterias, tomadas ou pilhas funcionando perfeitamente.

Aliás, a maioria dos relógios de hoje funciona com uma dessas fontes de energia citadas, o que confere ao relógio de corda um charme, uma distinção e um status todo especial de raridade. Esses relógios mecânicos tradicionais, pequenos ou grandes, são alimentados por um mecanismo de mola.

Talvez você se lembre de seus pais ou avós dando corda diariamente em seus relógios, de parede, despertadores ou mesmo relógios de pulso. Este cuidado é fundamental para o funcionamento dessas peças, também conhecidas como relógios manuais.

Para realizar a operação, a haste, coroa ou manopla é girada, em geral, no sentido dos ponteiros do relógio, até que se sinta uma ligeira resistência (cuidado para não exceder o ponto! A corda pode arrebentar ou prejudicar a precisão do instrumento).

A mola se aperta quando você gira a haste da corda, e os ponteiros se movem conforme vão desfazendo o girar acumulado. Este mecanismo, se bem produzido, mantém o relógio sempre na hora certa. Mas o que seria um relógio a corda bem produzido?

As peças básicas do relógio mecânico

Ao tensionar a mola que há no interior do seu acessório, fazendo com que ela acumule energia, você dará vida a ele. Normalmente, como já dito, não é necessário mais que uma corda por dia. E isso só é possível graças às engrenagens.

Elas são o fator comum entre todos os tipos de relógio analógico. São elas que se movem, dando energia aos ponteiros, que por sua vez se movem para mostrar a hora certa. O que vai variar é a fonte de energia que faz com que as engrenagens se movam. No nosso caso, é a energia potencial gerada pela corda.

A mola

Essa energia vem diretamente da mola. Quando você dá corda no mecanismo, ela se enrola, o criando tensão e dando força à rotação. A mola fica dentro de uma peça chamada barrilete, que a protege. Quanto mais comprida a mola, maior o tempo de duração da corda. Da mola, a energia é transferida para as engrenagens.

As engrenagens

Assim como a mola transfere energia para as engrenagens, elas, por sua vez, transferem energia umas às outras, transportando essa energia até o próximo elemento, que serve para controlar a passagem do tempo. No jargão técnico, a nomenclatura dada é “trem de engrenagens”. Todo relógio mecânico possui esses mesmos elementos básicos.

O Escape

É uma peça importante, um órgão regulador que impede que a energia seja toda liberada de uma só vez. Efetivamente, é o escapamento que efetivamente marca o tempo, movendo-se compassadamente, através da interação entre os pallets, os dentes oblíquos da forquilha e a roda dentada – elementos presentes nas engrenagens.

Unido ao balanço, a engrenagem de fora que gira para frente e para trás, conforme os passos do escape, é a parte do relógio de corda, e também de outros relógios mecânicos, que conta com a maior precisão e complexidade. É um conjunto extremamente delicado, e que deve ser habilmente regulado. Você já percebeu que trata-se do coração do seu relógio de corda.

O indicador

Agora sim, chegamos ao indicador de tempo. É a parte que todo mundo conhece, que fica no mostrador do relógio. É formado pelo rotor, o eixo que gira no centro do relógio, e pelos ponteiros, ou números, no caso de displays mecânicos.

Resumindo: Como Funciona um Relógio a corda?

Você dá corda no relógio, a mola em espiral gira e se aperta em torno de um eixo (também chamado de “árvore”. Uma parte dela é fixada na parte interna do barrilete. A outra é presa na “árvore”.

Gira-se a haste e a mola se enrola. Enrolada, ela armazena a energia que precisa liberar para retornar ao estado original, devido à característica elástica do material de que é feita.

Todas as peças descritas no tópico anterior controlam essa energia para que ela seja liberada aos poucos e de forma compassada, transformando-se em movimentos que coincidem com o passar dos segundos.

A energia controlada é convertida, então para o movimento dos ponteiros. Mais uma vez, do início ao fim:

  • a corda dada no relógio…
  • cria uma tensão…
  • que é liberada na forma de energia motriz do relógio.

O sistema, como qualquer outro, não é perfeito. A cada dia ele acumula pequenos atrasos. Para você não ficar preocupado, caso opte por um relógio de corda: esses atrasos nunca ultrapassam frações de segundo.

No longo prazo, os atrasos maiores que podem ser causado são facilmente resolvidos com a manutenção periódica de um relojoeiro.

Curiosidade: Por volta de 1500, Pedro Henlein, na cidade de Nuremberg, desenvolveu o chamado “Ovo de Nuremberg”. Construído basicamente de ferro, o relógio de bolso oval funcionava com corda para quarenta horas! Foi um precursor da mola espiral que até hoje é utilizada nos relógios a corda. E essa é só mais uma das inovações que foram impulsionadas por essa grande invenção que marcou a história da indústria relojoeira como um divisor de águas.

Até agora falamos de nossas especialidades. Mas, como bônus, também vamos dar algumas dicas para você cuidar bem de seu relógio a corda de pulso. Você sabia que existem dois tipos?

Relógio de pulso de corda manual

Pegue seu velho relógio de pulso, porque chegou a hora de dar corda! Aliás, relógios de pulso de corda não precisam ser necessariamente velhos. Muitas marcas ainda fabricam seus modelos, visando a um público que está de olho no charme que só eles proporcionam.

Velho ou novo, não importa, aprenda agora como dar corda em seu relógio de pulso.

1 – Tire seu relógio da gaveta ou do seu braço e coloque e segure com a mão oposta à que você irá usar para dar corda. Girar a haste do relógio em seu pulso pode danificar as peças internas, pois você precisa forçar para poder girá-la.

2 – Localize a haste. Em geral, ela fica na lateral direita. Ela pode ter várias posições identificadas por cliques, para hora, calendário e alarme, por exemplo. Uma dessas posições fará com que os ponteiros girem (para acertar o relógio). Identifique a posição que emite o som característico de “dar corda”.

3 – Use a ponta de seus dedos indicador e polegar para girar a coroa no sentido horário por várias vezes (de 10 a 40, dependendo do estado atual da corda e do modelo do relógio), até sentir uma resistência. Não gire demais para não danificar o seu relógio. Com o tempo você ficará “treinado” e identificará com facilidade o ponto certo.

4 – Empurre a haste de volta ao seu lugar original e pode usar o seu relógio! Se ele funcionar por pouco tempo, pode ser que da próxima vez seja necessário girar mais vezes, até atingir a máxima tensão da corda.

Relógio de pulso de corda automática

Relógios automáticos funcionam com um tipo muito especial de corda, que funciona de forma parecida com a dos relógios de pêndulo. Apesar da sofisticação do sistema, inventado em 1920, rapidamente ele se tornou a maneira mais comum de dar corda em relógios mecânicos de pulso. E para isso, além do relógio, só é necessário mais um elemento: você.

O mecanismo automático é bastante parecido ao mecanismo de corda tradicional. Só há um elemento extra: um disco que oscila de acordo com o movimento do relógio, ou melhor: com o movimento do seu braço!

É esse movimento que faz o rotor girar e carregar o tambor. Esse disco substitui a mola, dispensando o movimento de “dar corda” do jeito clássico. O movimento do braço já é suficiente para acumular energia e manter o relógio funcionando normalmente, sem travamentos nem atrasos.

Não é fascinante? Para seu relógio funcionar, basta usá-lo! A maioria dos modelos garante que oito horas no pulso rendam um dia de autonomia de uso. Porém, para períodos em que o relógio não será utilizado, ou para momentos de uso em que o usuário se movimenta pouco, é possível dar corda no relógio de forma manual.

Da mesma forma, recomenda-se dar corda manualmente a cada três meses. Isso vale para qualquer modelo de relógio mecânico movido a corda, para manter as partes mecânicas lubrificadas. É aquela história: máquinas devem estar sempre em funcionamento para que não se desgastem.

Muitas pessoas acham que o seu relógio automático está quebrado porque parou de funcionar. Se isso acontecer com você, já sabe o que fazer! Basta dar corda nele.

Você também pode comprar um movimentador. Sim! As relojoarias vendem caixas para acondicionar um ou mais relógios automáticos e movimentá-los para que não percam a energia potencial que os mantém em funcionamento.

Em tempo: agora que você já sabe tudo sobre relógios a corda, e se apaixonou ainda mais pelo fascinante mundo dos relógios, que tal continuar navegando pelo nosso site em busca de novas descobertas?

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